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Governo dos EUA pede à NASA para desenvolver ‘fuso-horário’ para a Lua

Uma nova política do governo federal dos Estados Unidos instrui a NASA, agência espacial do país, a desenvolver uma estratégia para um novo padrão de tempo a ser usado em missões espaciais relacionadas à Lua. A ideia dessa espécie de fuso-horário lunar é melhorar a navegação e serviços relacionados a isso tanto no satélite natural quanto em seu entorno.

Para quem tem pressa:

  • O governo dos EUA instruiu a NASA a desenvolver um padrão de tempo lunar para melhorar a navegação e operações relacionadas ao satélite natural;
  • A estratégia, a ser concluída até 2026, envolverá a criação do Tempo Lunar Coordenado (LTC), baseado no Tempo Universal Coordenado (UTC) mas ajustado para as condições lunares;
  • O LTC precisa abordar diferenças relativísticas que afetam a precisão do tempo na Lua, onde um segundo lunar não corresponde exatamente a um segundo terrestre;
  • A NASA colaborará com outras agências para desenvolver o LTC, que deve ser rastreável ao UTC, preciso, resiliente e escalável para além do espaço cislunar.
(Imagem: Dima Zel/Shutterstock)

A Política de Padronização de Tempo Celestial em Apoio à Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia Cislunar, divulgada pelo Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca (OSTP, na sigla em inglês) neste mês, direciona a NASA a desenvolver uma estratégia até o final de 2026 para criar o Tempo Lunar Coordenado (LTC). Seria um novo padrão de tempo baseado no Tempo Universal Coordenado (UTC) na Terra, mas adaptado para operações na Lua.

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“À medida que a NASA, empresas privadas e agências espaciais ao redor do mundo lançam missões para a Lua, Marte e além, é importante que estabeleçamos padrões de tempo celestiais para segurança e precisão”, disse Steve Welby, diretor adjunto do OSTP para segurança nacional.

Tempo na Lua

Ilustração de astronautas trabalhando na Lua com fuso-horário
(Imagem: NASA)

Usar o UTC no espaço cis-lunar é inadequado para operações de precisão, observa a política. O UTC está ligado a sistemas baseados na Terra, mas efeitos relativísticos significam que um segundo na Lua não tem o mesmo comprimento que um na Terra. “Por exemplo, para um observador na Lua, um relógio baseado na Terra parecerá perder, em média, 58,7 microssegundos por dia terrestre, com variações periódicas adicionais”, explica o documento.

Embora essa diferença seja imperceptível para a maioria das aplicações – levaria quase 50 anos para acumular um desvio de um segundo – ela é um problema para navegação e aplicações relacionadas, como consciência situacional espacial e operações de proximidade, onde é necessária muita precisão.

(Imagem: Juergen Faelchle/Shutterstock)

A política estabelece quatro características principais para o LTC:

  • Rastreabilidade até o UTC;
  • Precisão para navegação e ciência de precisão;
  • Resiliência à perda de contato com a Terra;
  • Escalabilidade para ambientes além do espaço cis-lunar.

A política fornece pouca orientação técnica para estabelecer um padrão de tempo lunar. Mas sugere que isso pode ser feito como os padrões de tempo terrestre, que usam uma rede de relógios atômicos. A NASA trabalhará com várias outras agências, incluindo os Departamentos de Comércio, Defesa, Estado e Transporte, na estratégia de tempo lunar.

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