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Tragédia no RS: Preços do arroz e carnes vão subir?

A agropecuária é o setor mais afetado pelas enchentes do Rio Grande do Sul. Arroz, soja e carnes suína e de frango estão entre as principais produções do Estado. Confira a análise sobre a possibilidade de alta de preços dos alimentos em trecho da entrevista com o consultor agro do Itaú BBA, Cesar de Castro, e com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

Quais os impactos da tragédia no RS na agricultura e pecuária? Qual a maior preocupação?

Cesar de Castro: A nossa preocupação maior está na infraestrutura e na logística, na reconstrução dos acessos às fazendas para que possa ter o direcionamento de ações, para que possa retirar os animais que estavam prontos, para que se possa se ter um uma mínima fluidez, levar alimentos e água para os animais, para as pessoas. Isso acho que é o mais crítico. Muito dos impactos que podem vir a acontecer depender muito da questão logística e dessa infraestrutura. É claro que para construir tudo como estava, vai demorar muito tempo, mas as operações de emergência para permitir a fluidez de mercadorias e animais é o mais importante nesse momento. Nós achamos bastante precipitado falar em desabastecimento e grandes impactos inflacionários dado que o país é muito grande. Entretanto alguns produtos, sim, realmente nos preocupa muito. O principal deles é o arroz.

Sem dúvida nós vamos ter grandes impactos em diversas cadeias pela capilaridade do do Rio Grande do Sul em muitos setores. Embora seja muito difícil o dimensionamento do tamanho, certamente alguns produtores vão sucumbir, não tem como. Produtores pequenos que perderam tudo em alguns setores de uma dinâmica mais difícil como o leite, por exemplo.

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Você algumas vezes mencionou aqui o arroz como um dos alimentos que pode sofrer maior impacto em preço no curto prazo. A pressão altista nos preços, inclusive, virou tema para o governo, que tomou algumas providências para facilitar importação de até 1 milhão de toneladas de arroz. Essa medida ela vai impactar o mercado brasileiro gerando queda no preço do arroz?

Cesar de Castro: Eu acredito que essa medida ela tem o poder mais de evitar uma especulação muito forte e evitar desequilíbrios de curto prazo.

Você falou que algumas plantas frigoríficas voltaram a trabalhar e disse também que há milhões de aves que acabaram morrendo, foram mortas em função dos alagamentos. O risco de desabastecimento que a própria ABPA chamou a atenção, que poderia acontecer para aves e suínos nos supermercados, esse foi descartado?

Ricardo Santin: Não, o risco já está afastado. Acho que o retorno das plantas a trabalhar, quando a gente nominou que poderia haver um um risco desabastecimento, nós olhávamos a extensão imediata dessa enchente e não se sabia quanto tempo isso ia durar. A grande dificuldade era levar ração para os animais e aí sim, se a gente não conseguisse fazer isso, porque quando você olhava o número de barreiras e pontes que caíram aqui, você no primeiro momento achava que não ia conseguir recompor. Mas o estado, as próprias comunidades foram lá retirar barreiras, reabriram trajetos alternativos utilizando a solidariedade das comunidades. Uma empresa estava alimentando os animais da concorrência e a outra alimentando-os reciprocamente. Então isso tudo conseguiu fazer com que a gente mantivesse essa estrutura mínima.

Hoje, as plantas, digamos daquelas 10 que haviam sido fechadas ou menos, hoje só duas estão fechadas e outras estão com capacidades menores, mas já seguram o atendimento mínimo sem risco de desabastecimento.

Quanto ao preço, a gente espera que no Brasil não tenha tantos impactos. Naturalmente que essa quantidade que o Rio Grande do Sul [produz], pode demorar um pouco mais para recuperar a sua produção. Ela vai ser buscada nos outros estados e além da oferta e da demanda, ela acaba tendo pequenos reflexos pontuais. Mas não é nada que vá fazer uma explosão de preços nas prateleiras.

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