Guarujá

Mulher com doença rara doa remédio para menina com a mesma condição no RS: ‘não vai correr mais risco’


Elas têm diabetes insípidus, uma condição que afeta o controle da saída de água do corpo. Por conta das enchentes, a medicação necessária acabou em Canoas e a doação salvou a vida da menina. À esquerda, medicamento que salvou a vida de Ester. À direita, situação da região onde a menina morava com a família em Canoas (RS)
Arquivo pessoal
Uma moradora de Santos(SP) com diabetes insípidus, salvou a vida de uma menina, de 12 anos, que tem a mesma doença rara e mora em Canoas, uma das cidades mais afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul. A técnica de Enfermagem, Jaqueline Silva, de 40 anos, doou o remédio que mantém Ester de Lima viva.
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A diabetes insípidus é a falta ou a incapacidade de ação do hormônio antidiurético. Sem o remédio desmopressina, que reduz a produção de urina, o paciente sente mais sede e vai mais vezes ao banheiro, o que desequilibra o organismo e pode levar a uma parada cardíaca.
A mãe de Ester e também técnica de enfermagem, Renata de Lima, de 46 anos, contou ao g1 que o imóvel onde morava com a filha foi destruído pelas águas. A menina está na casa de um tio, com o pai e avó paterna, enquanto ela está abrigada na casa de uma amiga. As duas estão em segurança em Canoas.
Ester tem craniofaringioma, um tumor benigno que causou diabetes insípidus e perda de visão aos 4 anos. Renata explicou que foi comprar a desmopressina para filha e, por conta das enchentes, tinham apenas duas caixas nas farmácias por R$ 370 cada, valor R$ 100 acima do que costuma pagar.
“Eu fiquei desesperada porque são oito anos nessa luta e eu já vi a minha filha em estado de quase morte muitas vezes. É a pior sensação do mundo”, lamentou a mãe de Ester.
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Moradora de Canoas (RS), Ester de Lima, ganhou o medicamento que a mantém viva
Arquivo pessoal
Esperança
Por um tempo, Jaqueline teve que ingerir menor quantidade do medicamento para uma cirurgia e tinha dez caixas sobrando em casa. Assim que Renata pediu ajuda em um grupo nas redes sociais de pessoas com diabetes insípidus, a moradora de Santos não pensou duas vezes.
“A minha vontade era tão grande de enviar a medicação. Quando a gente se coloca no lugar das pessoas, temos empatia. Eu tenho a mesma doença e eu sei o quanto é ruim ficar sem remédio […] Corremos risco de vida [de morte]”, afirmou Jaqueline.
O problema foi em como o remédio chegaria em Canoas sem se perder com as doações do público geral. Com ajuda da Força Aérea Brasileira (FAB) de Guarujá (SP), um soldado buscou a caixa com os medicamentos na casa de Jaqueline e entregou nas mãos de Renata na última sexta-feira (10).
À esquerda, a moradora de Santos (SP), Jaqueline Silva. À direita, mãe de Ester recebendo o medicamento da FAB de Guarujá (SP)
Arquivo pessoal
Agora, Ester tem medicamento suficiente para aproximadamente seis meses. “Com os remédios da Jaqueline, foi um alívio tão grande de que ela não vai correr mais risco de vida [de morte]. Não tenho nem palavras para saber como agradecer”, finalizou Renata.
Assim que a situação em Canoas melhorar, Renata quer encontrar Jaqueline pessoalmente para agradecer a doação. A moradora de Santos também afirmou à equipe de reportagem que não vê a hora de abraçar Ester e a mãe dela.
Diabetes insípidus
A diabetes insípidus pode ser a falta ou a incapacidade de ação do hormônio antidiurético, que controla a saída de água do corpo. Esta condição leva a uma maior produção de urina e uma sensação frequente de estar com sede.
Sem o tratamento adequado, o paciente pode chegar a beber entre 20 e 30 litros de água por dia, desequilibrando os eletrólitos — minerais que circulam no organismo. Estas consequências podem causar uma parada cardíaca, que leva a morte.
Enchentes no Rio Grande do Sul
Imagem aérea mostra alagamento em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre
Carlos Macedo/AP
Com duas mortes confirmadas nesta segunda-feira (13), o Rio Grande do Sul chegou a 147 vítimas dos temporais e cheias que atingem o estado desde o final de abril. O boletim da Defesa Civil ainda contabiliza 127 desaparecidos e 806 feridos.
O número de pessoas fora de casa subiu para mais de 619 mil. Quase 81 mil estão em abrigos e 538 mil estão desalojados (em casa de amigos e parentes).
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