Guarujá

Vítimas de cidade atingida por volume de chuva recorde no país relembram a tragédia; confira o ranking histórico


De acordo com o Cemaden, os registros de chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul e causaram, junto com a elevação dos níveis dos rios, uma tragédia histórica não ultrapassaram a marca de Bertioga (SP), cidade em que choveu 683 mm em 24h em fevereiro de 2023. Bertioga foi uma das cidades mais afetadas pelo temporal
Leandro Sampaio/g1 Santos
A Baixada Santista e o Litoral Norte de São Paulo foram castigados por temporais em fevereiro de 2023. Desde então, Bertioga detém o recorde do maior volume de chuva no Brasil em 24h com 683 mm. O g1 conversou com vítimas das enchentes na cidade, que relembraram os momentos de angústia, as dificuldades, e mandaram mensagens de força e esperança aos gaúchos. “Com esforço a gente reconstrói de novo”, disse a dona de casa Cleuza Alves Santana Barreto, de 57 anos.
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Atualmente, o país vive a tragédia provocada pelas chuvas no Rio Grande do Sul (RS). No estado, algumas cidades já registraram mais de 683 mm no acumulado, considerando dias e não 24h. Por ser uma região cortada por rios, que tiveram uma elevação dos níveis devido às precipitações, boa parte dos municípios ficou debaixo d’água deixando moradores ilhados, desalojados e causando mortes.
A moradora de Bertioga, Cleuza Alves, perdeu bens materiais quando a água invadiu a casa dela e deixou a todos com água sobre os joelhos. Na ocasião, lembrou ter ficado três dias ilhada até poder começar o processo de reconstrução. No RS, o caos está instalado há mais de duas semanas.
Em Bertioga, alagamento causado por temporal atingiu ruas, calçadas e residências
Divulgação
“Fico triste pela situação deles [no Rio Grande do Sul]. Tem gente que não tem nem como voltar para a casa. Fico feliz que a minha não caiu e a água não subiu até teto. Bens materiais são o mínimo, com esforço a gente reconstrói de novo. [O mais importante é] a vida da gente”, ressaltou Cleuza.
A dona de casa lembrou quando as enchentes começaram em Bertioga. Ela contou que estava em casa, na Estrada 20, e a água subiu muito rápido. Embora a Defesa Civil tenha sido acionada, disseram que não tinha como chegarem até o local para resgatá-los.
“Deus foi muito bom conosco. Ficamos orando, pedindo a Deus. Ficamos ilhados três dias, mas sobrevivemos. Perdemos muitas coisas [materiais], mas sobrevivemos”, agradeceu Cleuza, que admitiu ter se assustado com o maior volume de chuva da história do país, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). (veja abaixo)
Outro morador da cidade, que preferiu não se identificar, contou que teve muitos prejuízos e precisou mudar de casa. “A água entrou o suficiente para cobrir quase até as camas. Perdi muitas coisas, mas tive ajuda de muita gente”, disse ele, que à época se recorda ter levado um segundo duro golpe. O primeiro, a pandemia da Covid-19.
“Não gosto nem de lembrar porque foi uma época que tinha acabado de sair da pandemia [que permanece] e veio a enchente. Ainda estava com prejuízos da pandemia e veio a enchente para terminar de bagunçar tudo”, disse.
Vias foram tomadas pela água em Bertioga
Reprodução
O que diz a prefeitura?
Em nota, a Prefeitura de Bertioga informou que desde 2023 um telemétrico foi instalado nas dependências da Defesa Civil, próximo ao Rio Itapanhaú, que é capaz de registrar com precisão e em intervalos frequentes o nivel da maré, a temperatura e a pressão atmosférica.
Os dados coletados são transmitidos para um servidor a cada 10 minutos, proporcionando informações detalhadas em tempo real, auxiliando na previsão e alerta antecipado de ressacas e alagamentos, causados pela influência das marés. Isso permite que a Defesa Civil tome medidas preventivas e minimize os impactos da chuva para a população.
Filhote de jacaré foi encontrado em enchente em Guarujá e peixe foi encontrado dentro de casa alagada em Bertioga
ZN Litoral e Leandro Sampaio/g1
A administração municipal disse que está preparada para possíveis ocorrências naturais, e que há um Plano Preventivo de Defesa Civil (PPCD) para monitoramento do índice pluviométrico das chuvas.
Os agentes ficam em alerta para possíveis desastres naturais, principalmente nas cinco áreas consideradas de risco, de acordo com mapeamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT): Caibura, São João, Jardim Vicente de Carvalho, Chácaras e Boraceia.
Em Bertioga, rodovia Mogi-Bertioga ficou interditada após asfalto ceder
Aconteceu em Bertioga
Por meio da Secretaria de Obras, a prefeitura informou que, neste ano, um investimento de R$ 340 milhões foi disponibilizado para combater as enchentes e que, durante o ano, várias obras foram concluídas.
Atualmente, as obras estão em andamento nos bairros do Rio da Praia, Centro, Jardim Raphael, Indaiá, Vista Linda, Chácaras e Maitinga, incluindo trabalhos de pavimentação e medidas de prevenção contra alagamentos, como macro e micro drenagem.
Relembre o caso
Veja imagens de Bertioga, SP, cidade que registrou maior volume de chuvas durante temporal
As cidades da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, foram castigadas após chuvas fortes e rajadas de vento, que começaram na tarde de 18 de fevereiro. Entre os problemas registrados: ruas alagadas, quedas de barreiras e de árvores, falta de energia, interrupção da travessia de barcas e balsas. Também houve registro de casas inundadas, carros submersos e diversos bens danificados pela água.
Durante o temporal que atingiu a Baixada Santista e Litoral Norte, Bertioga foi uma das cidades mais castigadas, registrando um volume de chuva de 683 mm, que é considerado o maior da história do país. O meteorologista da Defesa Civil de Santos, Franco Cassol, explicou que a quantidade representa um volume de água de 683 litros em uma superfície de um metro quadrado.
“A cada metro quadrado [ são mais] de 600 litros de chuva é muita água para uma área muito pequena”. O meteorologista afirmou, à época, que toda essa água não fica no local, infiltra no solo e escorre para partes mais baixas, no entanto, por causa da grande quantidade de água é comum alagamentos e deslizamentos de morros.
“Com a maré alta, dificulta o escoamento. Uma das principais formas é escorrer [a água] para áreas mais baixas como o mar, mas, como tinha a maré alta, essa acabou segurando um pouco esse escoamento da água”, disse.
Cassol reforçou, portanto, que, com a maré elevada a capacidade de escoamento é reduzida. Não só isso, como o solo encharcado não permite mais a infiltração de água. “Ela tem que sair pelas laterais, procurar áreas mais baixas. No caso de Santos (SP) existem os canais que ajudam no escoamento”.
Temporal no Sul do país
Porto Alegre continua parcialmente inundada, e situação pode piorar com nova cheia do Guaíba
Adriano Machado/Reuters
O temporais no Rio Grande do Sul mataram 154 pessoas entre o fim de abril e a primeira quinzena de maio. Conforme a Defesa Civil, 104 pessoas estão desaparecidas. São 617 mil pessoas fora de casa. Deste total, 540,1 mil estão desalojadas (em casas de amigos ou parentes) e 77,2 mil foram acolhidas em abrigos.
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

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